O que é: Sentido do jejum conforme Isaías 58?

O que é: Sentido do jejum conforme Isaías 58?

O jejum é uma prática comum em várias religiões e culturas ao redor do mundo. É uma forma de abstinência voluntária de alimentos, bebidas ou certas atividades, geralmente com um propósito espiritual ou religioso. No contexto do cristianismo, o jejum é frequentemente associado à busca de uma maior intimidade com Deus, ao arrependimento e à renovação espiritual. No livro de Isaías, capítulo 58, encontramos uma passagem que fala sobre o verdadeiro sentido do jejum e como ele deve ser praticado de forma agradável a Deus.

A importância do contexto histórico e literário

Antes de mergulharmos no significado do jejum de acordo com Isaías 58, é importante entendermos o contexto histórico e literário do livro. Isaías foi um profeta do Antigo Testamento que viveu durante um período conturbado da história de Israel. Ele foi chamado por Deus para transmitir mensagens de advertência, exortação e esperança ao povo de Israel, que estava se afastando dos caminhos de Deus e se entregando à idolatria e à injustiça.

A crítica de Deus ao jejum hipócrita

No início do capítulo 58, Deus instrui Isaías a clamar em alta voz contra o jejum hipócrita do povo de Israel. Ele diz: “Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados” (Isaías 58:1). Deus está repreendendo o povo por seu jejum superficial e vazio, que não estava acompanhado de uma verdadeira mudança de coração e de uma vida de retidão.

O verdadeiro jejum que agrada a Deus

Em seguida, Deus revela qual é o verdadeiro jejum que Ele deseja: “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo?” (Isaías 58:6). Aqui, Deus está enfatizando a importância de um jejum que esteja acompanhado de ações concretas de justiça, misericórdia e compaixão para com os necessitados.

A relação entre o jejum e a justiça social

De acordo com Isaías 58, o jejum verdadeiro não se limita apenas a uma abstinência de alimentos, mas envolve uma postura de justiça social. Deus diz: “Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desamparados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías 58:7). O jejum autêntico está ligado à preocupação com os necessitados e à busca de soluções para as injustiças sociais.

A promessa de bênçãos e restauração

Além de apontar o verdadeiro sentido do jejum, Isaías 58 também traz promessas de bênçãos e restauração para aqueles que praticam o jejum de acordo com a vontade de Deus. Deus diz: “Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti; e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Isaías 58:8). Essas bênçãos incluem a cura, a restauração e a proteção divina.

O jejum como uma expressão de busca por Deus

Além de ser uma prática de justiça social, o jejum também é uma forma de buscar a Deus de maneira mais profunda. Isaías 58:9-10 diz: “Então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui; se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo e o falar iniquamente; e se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia”. O jejum, quando acompanhado de uma busca sincera por Deus e de uma vida de retidão, pode resultar em respostas às orações e em uma experiência mais profunda com o Criador.

A importância da motivação correta

Isaías 58 também destaca a importância da motivação correta por trás do jejum. Deus diz: “Porventura, é este o jejum que escolhi, que o homem aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao Senhor?” (Isaías 58:5). Deus não está interessado em um jejum meramente externo, mas sim em um coração quebrantado, humilde e contrito.

O exemplo de Jesus e o jejum

No Novo Testamento, Jesus também falou sobre o jejum e deu instruções sobre como praticá-lo. Ele disse: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6:16-18). Jesus enfatiza a importância da sinceridade e da discrição no jejum.

Conclusão

O jejum, de acordo com Isaías 58, não é apenas uma prática religiosa vazia, mas uma oportunidade de buscar a Deus de forma mais profunda e de praticar a justiça social. O verdadeiro sentido do jejum está em unir a abstinência de alimentos com ações concretas de amor, compaixão e justiça para com os necessitados. Quando praticado com a motivação correta e acompanhado de uma vida de retidão, o jejum pode resultar em bênçãos, restauração e uma maior intimidade com Deus.