O que é : Doutrina da Graça – Crença no favor imerecido de Deus dado aos seres humanos.

A Doutrina da Graça é uma crença fundamental dentro do cristianismo, que se baseia no conceito do favor imerecido de Deus dado aos seres humanos. Essa doutrina é amplamente aceita por diversas denominações cristãs e tem sido objeto de estudo e debate ao longo dos séculos. Neste glossário, iremos explorar em detalhes o significado e as implicações da Doutrina da Graça, bem como suas diferentes interpretações e aplicações na vida cristã.

O que é a Doutrina da Graça?

A Doutrina da Graça, também conhecida como Teologia da Graça, é uma doutrina teológica que se concentra na ideia de que a salvação e o favor de Deus são concedidos aos seres humanos de forma totalmente gratuita, sem que haja qualquer mérito ou esforço por parte do indivíduo. Essa doutrina enfatiza a soberania de Deus na salvação e destaca a incapacidade humana de alcançar a salvação por meio de suas próprias obras ou esforços.

As bases bíblicas da Doutrina da Graça

A Doutrina da Graça encontra suas bases nas Escrituras Sagradas, especialmente no Novo Testamento. Diversos textos bíblicos destacam a ideia de que a salvação é um dom gratuito de Deus, concedido pela sua graça e misericórdia. Um dos versículos mais conhecidos que sustentam essa doutrina é Efésios 2:8-9, que diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

As diferentes interpretações da Doutrina da Graça

Apesar de ser amplamente aceita, a Doutrina da Graça tem sido objeto de diferentes interpretações ao longo da história do cristianismo. Duas das principais correntes interpretativas são o Calvinismo e o Arminianismo.

O Calvinismo, baseado nos ensinamentos do teólogo reformador João Calvino, enfatiza a soberania absoluta de Deus na salvação. De acordo com essa perspectiva, Deus escolheu, de forma incondicional, aqueles que seriam salvos, independentemente de qualquer mérito humano. Essa visão é conhecida como “eleição incondicional”.

Por outro lado, o Arminianismo, nomeado em homenagem ao teólogo Jacobus Arminius, enfatiza o livre-arbítrio humano na salvação. Segundo essa perspectiva, Deus concede a todos os seres humanos a capacidade de escolher ou rejeitar a salvação, e a decisão final cabe a cada indivíduo. Essa visão é conhecida como “livre-arbítrio”.

A aplicação da Doutrina da Graça na vida cristã

A Doutrina da Graça tem implicações profundas na vida cristã e na forma como os crentes vivenciam sua fé. Ao compreender que a salvação é um dom gratuito de Deus, os cristãos são levados a reconhecer sua total dependência de Deus e a abandonar qualquer tentativa de alcançar a salvação por meio de suas próprias obras ou méritos.

Essa compreensão da graça de Deus também leva os cristãos a experimentar um profundo senso de gratidão e humildade diante de Deus. Eles reconhecem que não merecem o favor de Deus, mas mesmo assim são amados e aceitos por Ele. Essa consciência da graça divina também motiva os crentes a viverem uma vida de obediência e serviço a Deus, não como uma forma de ganhar a salvação, mas como uma resposta de gratidão ao amor de Deus.

A relação entre a Doutrina da Graça e a justificação pela fé

Uma das principais doutrinas relacionadas à Doutrina da Graça é a doutrina da justificação pela fé. De acordo com a Bíblia, a justificação é o ato de Deus pelo qual Ele declara os pecadores como justos, com base na fé em Jesus Cristo. Essa justificação é um ato da graça de Deus, e não é alcançada por meio de obras ou méritos humanos.

A Doutrina da Graça destaca que a justificação pela fé é um dom gratuito de Deus, concedido aos pecadores que confiam em Jesus Cristo como seu Salvador. Essa doutrina enfatiza que a salvação não é alcançada por meio de obras, mas é recebida pela fé na obra redentora de Cristo na cruz. A justificação pela fé é, portanto, uma expressão concreta da graça de Deus na vida do crente.

A crítica à Doutrina da Graça

A Doutrina da Graça tem sido alvo de críticas e controvérsias ao longo dos séculos. Alguns críticos argumentam que essa doutrina pode levar à negligência das boas obras e à falta de responsabilidade moral. Eles afirmam que, se a salvação é totalmente dependente da graça de Deus, os crentes podem se sentir livres para viver de forma irresponsável ou negligente.

No entanto, os defensores da Doutrina da Graça argumentam que essa doutrina não nega a importância das boas obras na vida cristã. Eles afirmam que, embora as boas obras não sejam a base da salvação, elas são uma evidência natural da fé genuína. Os crentes são chamados a viver uma vida de obediência e serviço a Deus como uma resposta de gratidão pela graça recebida.

Conclusão

A Doutrina da Graça é uma crença central dentro do cristianismo, que destaca o favor imerecido de Deus dado aos seres humanos. Essa doutrina enfatiza a soberania de Deus na salvação e a incapacidade humana de alcançar a salvação por meio de suas próprias obras. A Doutrina da Graça tem implicações profundas na vida cristã, levando os crentes a reconhecer sua total dependência de Deus e a viver uma vida de gratidão e obediência. Embora tenha sido objeto de diferentes interpretações e críticas, a Doutrina da Graça continua a ser uma parte essencial da teologia cristã.